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Harrier no Brasil: a visita que quase mudou os rumos da Aviação Naval

Em setembro de 1973, o Brasil recebeu a visita de uma das aeronaves mais inovadoras da história da aviação militar. O Hawker Siddeley Harrier Mk.52 desembarcou no país para uma série de demonstrações que buscavam apresentar ao governo brasileiro as capacidades de um caça capaz de decolar em pistas curtas e realizar pousos verticais.

Naquele momento, o Harrier ainda era uma novidade no cenário internacional. Seu sistema de vetoração de empuxo permitia operações onde caças convencionais simplesmente não podiam atuar, despertando o interesse de diversas forças armadas ao redor do mundo.

Foto: Acervo histórico / Autor não identificado demonstração do Hawker Siddeley Harrier Mk 52 no Rio de Janeiro, 1973.

Um dos registros mais emblemáticos da visita mostra o Harrier sobrevoando o Cristo Redentor. A imagem simboliza a passagem da aeronave pelo Rio de Janeiro e tornou-se um dos mais conhecidos registros da demonstração realizada no Brasil.

Após os voos de apresentação, o Harrier operou a partir da Base Aérea de Santa Cruz, onde foram conduzidas demonstrações para militares brasileiros. A visita permitiu que pilotos, engenheiros e autoridades acompanhassem de perto as características de voo da aeronave, especialmente sua capacidade de pairar e realizar pousos verticais.

Foto: Acervo histórico / Autor não identificado demonstração do Hawker Siddeley Harrier Mk 52 no Rio de Janeiro, 1973.

Foto: Acervo histórico / Autor não identificado demonstração do Hawker Siddeley Harrier Mk 52 no Rio de Janeiro, 1973.

O momento mais marcante da passagem pelo Brasil aconteceu quando o Harrier realizou operações a bordo do Navio-Aeródromo Ligeiro (NAeL) Minas Gerais (A-11). Sem necessidade de catapultas ou cabos de parada, a aeronave pousou e decolou utilizando apenas sua capacidade V/STOL (Vertical/Short Take-Off and Landing), demonstrando uma tecnologia que ainda era considerada revolucionária.

Foto: Acervo histórico / Autor não identificado demonstração do Hawker Siddeley Harrier Mk 52 no Rio de Janeiro, 1973.
Foto: Acervo histórico / Autor não identificado demonstração do Hawker Siddeley Harrier Mk 52 no Rio de Janeiro, 1973.

As demonstrações despertaram interesse na Marinha do Brasil, que estudava formas de ampliar sua capacidade de aviação embarcada. Entretanto, a legislação vigente na época restringia à Força Aérea Brasileira a operação de aeronaves militares de asa fixa, impedindo que a Marinha incorporasse um caça como o Harrier.

Mesmo assim, o interesse pela aeronave permaneceu durante alguns anos. Fabricantes britânicos chegaram a apresentar propostas para sua aquisição, mas o projeto acabou não evoluindo.

Foto: Acervo histórico / Autor não identificado demonstração do Hawker Siddeley Harrier Mk 52 no Rio de Janeiro, 1973.

Menos de uma década depois, o Harrier ganharia notoriedade mundial durante a Guerra das Malvinas, em 1982. Operando embarcados nos porta-aviões da Royal Navy, os Sea Harrier demonstraram sua eficiência em combate, consolidando o conceito V/STOL como uma solução eficaz para operações navais.


Foto: Steve Procter / O Hawker Siddeley Gr.3 serial XZ997 em Cosford.

Embora nunca tenha integrado as Forças Armadas brasileiras, a visita do Harrier em 1973 permanece como um dos episódios mais fascinantes da história da aviação nacional. As imagens do caça sobrevoando o Cristo Redentor, estacionado na Base Aérea de Santa Cruz e operando no convés do Minas Gerais registram um momento em que o Brasil esteve diante de uma tecnologia que poderia ter transformado sua aviação naval.

Foto: Acervo histórico / Autor não identificado demonstração do Hawker Siddeley Harrier Mk.52 no Rio de Janeiro, 1973.

Fontes: NAVAL; CAVOK Brasil.

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