Em setembro de 1973, o Brasil recebeu a visita de uma das aeronaves mais inovadoras da história da aviação militar. O Hawker Siddeley Harrier Mk.52 desembarcou no país para uma série de demonstrações que buscavam apresentar ao governo brasileiro as capacidades de um caça capaz de decolar em pistas curtas e realizar pousos verticais.
Naquele momento, o Harrier ainda era uma novidade no cenário internacional. Seu sistema de vetoração de empuxo permitia operações onde caças convencionais simplesmente não podiam atuar, despertando o interesse de diversas forças armadas ao redor do mundo.

Um dos registros mais emblemáticos da visita mostra o Harrier sobrevoando o Cristo Redentor. A imagem simboliza a passagem da aeronave pelo Rio de Janeiro e tornou-se um dos mais conhecidos registros da demonstração realizada no Brasil.
Após os voos de apresentação, o Harrier operou a partir da Base Aérea de Santa Cruz, onde foram conduzidas demonstrações para militares brasileiros. A visita permitiu que pilotos, engenheiros e autoridades acompanhassem de perto as características de voo da aeronave, especialmente sua capacidade de pairar e realizar pousos verticais.


O momento mais marcante da passagem pelo Brasil aconteceu quando o Harrier realizou operações a bordo do Navio-Aeródromo Ligeiro (NAeL) Minas Gerais (A-11). Sem necessidade de catapultas ou cabos de parada, a aeronave pousou e decolou utilizando apenas sua capacidade V/STOL (Vertical/Short Take-Off and Landing), demonstrando uma tecnologia que ainda era considerada revolucionária.


As demonstrações despertaram interesse na Marinha do Brasil, que estudava formas de ampliar sua capacidade de aviação embarcada. Entretanto, a legislação vigente na época restringia à Força Aérea Brasileira a operação de aeronaves militares de asa fixa, impedindo que a Marinha incorporasse um caça como o Harrier.
Mesmo assim, o interesse pela aeronave permaneceu durante alguns anos. Fabricantes britânicos chegaram a apresentar propostas para sua aquisição, mas o projeto acabou não evoluindo.

Menos de uma década depois, o Harrier ganharia notoriedade mundial durante a Guerra das Malvinas, em 1982. Operando embarcados nos porta-aviões da Royal Navy, os Sea Harrier demonstraram sua eficiência em combate, consolidando o conceito V/STOL como uma solução eficaz para operações navais.

Foto: Steve Procter / O Hawker Siddeley Gr.3 serial XZ997 em Cosford.
Embora nunca tenha integrado as Forças Armadas brasileiras, a visita do Harrier em 1973 permanece como um dos episódios mais fascinantes da história da aviação nacional. As imagens do caça sobrevoando o Cristo Redentor, estacionado na Base Aérea de Santa Cruz e operando no convés do Minas Gerais registram um momento em que o Brasil esteve diante de uma tecnologia que poderia ter transformado sua aviação naval.
Foto: Acervo histórico / Autor não identificado demonstração do Hawker Siddeley Harrier Mk.52 no Rio de Janeiro, 1973.
Fontes: NAVAL; CAVOK Brasil.





