A possível presença simultânea das duas aeronaves: o exercício poderá oferecer uma rara oportunidade para compreender diferentes conceitos operacionais da guerra aérea moderna.


O Exercício Salitre 2026 poderá reunir algumas das mais modernas aeronaves de combate da atualidade, oferecendo uma rara oportunidade para observar diferentes filosofias de emprego atuando em um mesmo ambiente multinacional.
Entre os destaques estão o F-39 Gripen, da Força Aérea Brasileira (FAB), e o F-35 Lightning II, caça de quinta geração desenvolvido pela Lockheed Martin. Embora comparações diretas entre as duas aeronaves despertem grande interesse entre entusiastas e especialistas, o verdadeiro valor do exercício vai muito além da busca por um “vencedor”.
O que poderá ser observado é a forma como plataformas concebidas para atender necessidades distintas se comportam diante dos desafios da guerra aérea moderna, especialmente em cenários que exigem interoperabilidade, coordenação e troca constante de informações.
Além da furtividade: o que torna o F-35 uma plataforma única

A fusão de dados é considerada um dos maiores diferenciais operacionais do F-35, permitindo integrar e compartilhar informações em tempo real.
Embora a baixa observabilidade seja frequentemente apontada como sua principal característica, o F-35 foi projetado para ser muito mais do que um caça furtivo.
A aeronave incorpora um sofisticado conjunto de sensores capazes de coletar, processar e compartilhar informações em tempo real. Seu sistema de fusão de dados integra informações provenientes do radar, sensores eletro-ópticos, sistemas de guerra eletrônica e outras fontes, apresentando ao piloto uma visão unificada do campo de batalha.
Na prática, isso transforma o F-35 em uma plataforma de consciência situacional avançada, capaz de contribuir para toda a força empregada na missão e não apenas para sua própria sobrevivência. A aeronave pode atuar como um verdadeiro nó de informações, auxiliando outras plataformas e ampliando a percepção tática da força como um todo.
Mesmo que determinadas capacidades permaneçam limitadas durante exercícios multinacionais, essa arquitetura de sensores continua sendo um dos principais diferenciais do F-35 e uma das razões pelas quais a aeronave é considerada uma referência na guerra aérea contemporânea.
O F-39 Gripen e a filosofia da eficiência operacional

Foto: Sgt Müller Marin / Força Aérea Brasileira
Do outro lado está o F-39 Gripen, o mais moderno caça atualmente em operação na Força Aérea Brasileira.
Desenvolvido pela Saab, o Gripen E foi concebido para combinar desempenho avançado com elevada disponibilidade operacional. O projeto incorpora radar AESA, sensores modernos, sistemas de guerra eletrônica e uma arquitetura aberta que facilita futuras atualizações tecnológicas ao longo de sua vida útil.
Uma das características mais destacadas pelos operadores da aeronave é sua eficiência logística. O Gripen foi projetado para operar com equipes reduzidas de manutenção e tempos curtos de preparação entre missões, permitindo alta disponibilidade mesmo em cenários de emprego intensivo.
Além disso, sua filosofia de operação prioriza flexibilidade, baixo custo relativo de suporte e capacidade de adaptação a diferentes necessidades operacionais. Para a FAB, a participação no Salitre 2026 representa uma oportunidade importante para ampliar a experiência internacional da aeronave e demonstrar suas capacidades em um ambiente multinacional complexo.

O que realmente poderá ser observado?
É importante lembrar que exercícios militares não são competições destinadas a definir qual aeronave é superior.
Cada caça foi desenvolvido para atender requisitos específicos e opera dentro de conceitos distintos de emprego. Além disso, capacidades classificadas normalmente são protegidas durante treinamentos internacionais, limitando qualquer comparação baseada exclusivamente nos resultados observados durante as atividades.
Ainda assim, a presença simultânea do F-39 Gripen e do F-35 em um dos mais importantes exercícios aéreos da América Latina oferece uma oportunidade rara para analisar como duas das mais modernas plataformas de combate da atualidade se inserem em um mesmo cenário operacional.
Mais do que identificar vencedores, o verdadeiro interesse estará em compreender como diferentes tecnologias, estratégias e filosofias de emprego podem se complementar diante dos desafios da guerra aérea contemporânea.
Se confirmada, a participação dessas aeronaves poderá proporcionar importantes lições sobre interoperabilidade, compartilhamento de experiências e a evolução do combate aéreo no século XXI.
Fonte: Roberto Caiafa, InfoDefensa – “Salitre 2026: F-39 Gripen vai enfrentar os F-16 do Chile e os F-35 dos Estados Unidos”.





