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Fear The Bunny! O lendário coelho que marcou a aviação militar americana

Pintada de preto brilhante com um coelho da Playboy na cauda, a aeronave batizada de “Black Bunny” nasceu como projeto de testes da Marinha dos Estados Unidos e se tornou um dos símbolos mais reconhecíveis da aviação naval

A tradição de pintar cabeças de coelho nas caudas de aeronaves militares remonta ao início dos anos 1950, quando o Esquadrão de Fuzileiros Navais VMCJ-2, apelidado de “The Playboys” e baseado em MCAS Cherry Point, passou a usar o desenho como identidade visual. Pouco depois, a Força Aérea dos Estados Unidos também adotou o símbolo, aplicando-o na cauda de um SR-71 Blackbird conhecido como “Rapid Rabbit”.

Foto: US Air Force via habu.org

Foi, porém, com o Esquadrão de Teste e Avaliação Quatro da Marinha, o VX-4, que o coelho ganhou fama mundial. Baseado na Estação Aeronaval de Point Mugu, na Califórnia, o VX-4 era conhecido como “The Evaluators” e tinha a missão de testar sistemas avançados de armas, radares e navegação em aeronaves de combate. Em 1969, durante testes noturnos, um F-4 Phantom II pintado inteiramente de preto recebeu um coelho branco na cauda, indicativo de identificação do comandante do esquadrão, com o codinome “Vandy 1”. Nascia ali o “Black Bunny”.

Foto: Departamento de Defesa dos EUA

O problema com a Playboy

No mesmo ano em que o Black Bunny surgiu, a Playboy Enterprises adquiriu um Douglas DC-9 de passageiros, também pintado de preto com o coelho estampado na cauda, batizado de “Big Bunny”. A aeronave de Hugh Hefner tinha interior personalizado, com banheiros completos, teatro, sistema de som e uma cama redonda com colchão d’água, além de janelas que escureciam com o toque de um botão. Serviu para transportar celebridades como Elvis Presley e o casal Sonny e Cher, e chegou a ser usada para levar bebês órfãos da Guerra do Vietnã para adoção em Nova York.

Foto: RuthAS via Wikimedia

Em 1971, uma fotografia do Black Bunny da Marinha circulou publicamente, e a Playboy Enterprises enviou uma carta ao esquadrão alertando sobre possível ação legal pelo uso não autorizado da imagem. A empresa, no entanto, recuou da ameaça e permitiu o uso oficial do coelho, desde que a Marinha aplicasse o estêncil original fornecido pela própria Playboy, garantindo fidelidade ao design.

De Phantom a Tomcat

Ao todo, um F-4J e três F-4S voaram com a pintura preta e o coelho na cauda até janeiro de 1990. Um desses exemplares, o 153783, foi transferido para a Real Força Aérea britânica e ficou famoso por uma fotografia voando ao lado de um SR-71 com o logotipo da Skunk Works estampado na cauda.

Foto: US Navy
Foto: US Navy

Em 1985, o codinome “Vandy 1” e a pintura passaram para um par de F-14A Tomcat, inicialmente com tinta à base de água e, a partir de 1990, em caráter permanente. Em 1994, o VX-4 se uniu ao VX-5 “Vampires”, de China Lake, formando o VX-9. Os F-14 perderam o coelho na cauda por um período, vítimas do que a reportagem da The Aviationist descreve como uma onda de politically correctness dentro da instituição. Ainda assim, em 2004, por ocasião da aposentadoria do F-14 da frota americana, o último Tomcat construído recebeu de volta a pintura preta e o coelho para seus voos finais, antes de ser instalado como gate guard na Estação Aeronaval de Oceana, na Virgínia, já sem a icônica librê.

Foto: US Navy
Foto: US Navy
Foto: US Navy

Ao longo dos anos seguintes, o coelho reapareceu esporadicamente em F/A-18 Hornets e Super Hornets do VX-9, ainda que de forma mais discreta, e em 2023 uma aeronave foi pintada de preto para celebrar os 30 anos da formação do esquadrão, desta vez com o logotipo dos Vampires no lugar do coelho.

Foto: Skyes9 via Youtube

O resgate do Phantom original

Por 36 anos, o F-4 155539, o último Phantom intacto com a pintura Black Bunny, permaneceu exposto ao sol do deserto do Arizona no cemitério de aeronaves de Davis-Monthan, para onde havia sido enviado em maio de 1986 após seu último voo. Originalmente um F-4J convertido para F-4S, a aeronave serviu em múltiplos porta-aviões antes de ser designada ao VX-4 em 1981 e receber a pintura característica em 1982.

Em 2016, o Castle Air Museum, na Califórnia, iniciou uma campanha de arrecadação para resgatar e restaurar a aeronave. Após uma passagem pelo Pima Air and Space Museum em 2022, o Phantom finalmente chegou ao Castle Air Museum em julho de 2023 e segue em processo de restauração estática, com previsão de retornar às cores originais do Black Bunny.

Foto: Dylan Phelps via Jetphotos

O coelho ainda voa

Hoje, a tradição segue viva fora das fileiras da Marinha. Um antigo Aero L-39C Albatros da Ucrânia, registrado como N55107, recebeu a pintura do “Vandy 1” e voa em shows aéreos pela América do Norte sob propriedade civil, operado pelo Warrior Flight Team.

A organização é uma instituição de caridade 501(c)(3) dedicada a oferecer bolsas de estudo e oportunidades de carreira para veteranos feridos dos Estados Unidos. Com o L-39 pintado como o lendário Black Bunny, o Warrior Flight Team leva a tradição da aviação naval americana, que já dura mais de sete décadas, para o público de exibições aéreas por todo o país, ao mesmo tempo em que apoia sua causa social.

Foto: Wade DeNero via Planespotters.net

Acompanhe o Aero The Times para mais histórias que resgatam capítulos marcantes da aviação militar mundial.

Fonte: The Aviationist, 9 de Fevereiro de 2025; e Warrior Flight Team.

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