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Há 79 anos, Chuck Yeager rompia a barreira do som a bordo do Bell X-1

Foto: Smithsonian National Air and Space Museum

Voo de 14 de outubro de 1947 abriu a era dos voos supersônicos

Em 14 de outubro de 1947, o capitão Charles “Chuck” Yeager, das Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos (USAAF), rompeu a barreira do som pela primeira vez em um voo tripulado. A bordo do Bell X-1, batizado de “Glamorous Glennis” em homenagem à sua esposa, ele atingiu Mach 1,06, cerca de 1.127 km/h, a aproximadamente 13 mil metros de altitude sobre o deserto de Mojave, na Califórnia.

Na década de 1940, a chamada barreira do som era um dos maiores desafios da aviação. Ao se aproximarem da velocidade do som, as aeronaves sofriam vibrações intensas, perda de eficácia dos comandos e mudanças bruscas de comportamento em voo. Muitos engenheiros duvidavam que um avião tripulado pudesse ultrapassar Mach 1 com segurança.

Chuck Yeager e o Bell X-1 – Foto: U.S. Air Force

Para estudar esse regime de voo, a Bell Aircraft desenvolveu o XS-1, depois redesignado X-1, em um programa conjunto com a força aérea americana e o NACA, órgão que daria origem à NASA. A fuselagem foi inspirada no formato de um projétil calibre .50, conhecido por sua estabilidade em velocidades supersônicas, e a propulsão ficava a cargo de um motor foguete Reaction Motors XLR11 de quatro câmaras. Para poupar combustível, a aeronave não decolava do solo: era lançada em voo a partir do compartimento de bombas de um B-29 modificado.

Bell X-1-3 sendo acoplado a um B-50 Superfortress para um voo de teste – Foto: U.S. Air Force

O voo histórico foi o nono de Yeager no X-1 e partiu de Muroc Army Air Field, atual Base Aérea de Edwards. Dois dias antes, o piloto havia caído de um cavalo e fraturado duas costelas. Para não ser afastado da missão, escondeu a lesão dos médicos e contou apenas com a ajuda do engenheiro Jack Ridley, que adaptou um cabo de vassoura para que Yeager conseguisse travar a porta da cabine com a mão esquerda.

Após o lançamento, Yeager acionou as câmaras do motor, subiu até a altitude de teste e acelerou além de Mach 1. O resultado, no entanto, foi classificado como segredo militar. A notícia vazou pela revista Aviation Week em dezembro de 1947, mas a força aérea americana só confirmou oficialmente o feito em junho de 1948. No mesmo ano, Yeager, o fundador da Bell, Lawrence Bell, e o cientista do NACA John Stack dividiram o Collier Trophy de 1947, um dos prêmios mais importantes da aviação americana.

O “Glamorous Glennis” realizou 78 voos e, em janeiro de 1949, chegou a decolar do solo pilotado por Yeager. Aposentada, a aeronave foi entregue ao Smithsonian Institution e hoje integra o acervo do National Air and Space Museum, em Washington. Yeager seguiu carreira como piloto de testes, chegou a Mach 2,44 a bordo do X-1A em 1953 e se aposentou como brigadeiro. Ele morreu em dezembro de 2020, aos 97 anos.

Foto: Smithsonian National Air and Space Museum
Foto: Smithsonian National Air and Space Museum
Foto: Smithsonian National Air and Space Museum
Foto: Smithsonian National Air and Space Museum

O legado daquele voo vai muito além do recorde. Os dados coletados pelo X-1 ajudaram a consolidar o conhecimento sobre o voo transônico e abriram caminho para os caças supersônicos que hoje equipam forças aéreas no mundo todo, inclusive a Força Aérea Brasileira.

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Fonte: Smithsonian National Air and Space Museum.

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