Foto: USAF
Bombardeiro que marcou a campanha aérea contra o Japão decolou pela primeira vez em 21 de setembro de 1942
Em 21 de setembro de 1942, o primeiro protótipo do Boeing B-29 Superfortress deixou a pista do Boeing Field, em Seattle, para seu voo inaugural. A aeronave, designada XB-29, nascia de uma exigência do Exército dos Estados Unidos por um bombardeiro de longo alcance capaz de levar mais carga, mais longe e mais alto do que qualquer avião em serviço na época.

O projeto era ambicioso para os padrões da década de 1940. O B-29 trazia cabine pressurizada, algo raro entre aeronaves de combate da Segunda Guerra Mundial, o que permitia à tripulação operar em grandes altitudes sem depender o tempo todo de máscaras de oxigênio. As torres de metralhadoras eram controladas remotamente por um sistema de pontaria centralizado, e a aeronave era movida por quatro motores radiais Wright R-3350 Duplex-Cyclone, cada um com dois turbocompressores.

O desenvolvimento, no entanto, foi marcado por pressa e dificuldades. Os motores sofriam com superaquecimento e incêndios, problema que causou a queda do segundo protótipo em fevereiro de 1943 e a morte do piloto de testes Edmund “Eddie” Allen, o mesmo que havia conduzido o voo inaugural meses antes. A produção envolveu quatro grandes fábricas, em Renton, Wichita, Marietta e Omaha, além de milhares de fornecedores, fazendo do B-29 o programa aeronáutico mais caro dos Estados Unidos durante a guerra.

O Superfortress entrou em serviço em maio de 1944 e se tornou o principal bombardeiro americano no teatro do Pacífico. Concebido para ataques diurnos em alta altitude, acabou sendo empregado também em bombardeios incendiários noturnos em baixa altitude contra cidades japonesas e no lançamento de minas navais para bloquear portos do Japão. Em agosto de 1945, dois B-29, o Enola Gay e o Bockscar, lançaram as bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, as únicas armas nucleares já usadas em combate.
Ao todo, foram produzidas 3.970 unidades. Depois da guerra, o B-29 voltou ao combate na Guerra da Coreia e deu origem a variantes e derivados como o KB-29, usado em reabastecimento aéreo, o B-50, o cargueiro C-97 Stratofreighter e o avião comercial Boeing 377 Stratocruiser. Na União Soviética, exemplares que pousaram em território soviético durante a guerra foram copiados e deram origem ao Tupolev Tu-4. O modelo deixou o serviço ativo da Força Aérea dos Estados Unidos em 1960, e hoje apenas dois exemplares seguem em condição de voo, apresentando-se em eventos aéreos.
A data de 21 de setembro guarda ainda outro marco da aviação de bombardeio. Em 1964, exatos 22 anos após o voo do XB-29, o North American XB-70 Valkyrie decolou pela primeira vez, partindo da Air Force Plant 42, em Palmdale, na Califórnia, rumo à Base Aérea de Edwards. O protótipo foi pilotado por Alvin S. White, piloto-chefe de testes da North American, e pelo coronel Joseph F. Cotton, da Força Aérea dos Estados Unidos.

Projetado para voar a Mach 3 em grandes altitudes com seis motores a jato, o Valkyrie deveria ser o sucessor dos bombardeiros estratégicos da Guerra Fria. A evolução dos mísseis terra-ar e dos mísseis balísticos intercontinentais, porém, levou ao cancelamento do programa como bombardeiro. Apenas dois exemplares voaram, ambos usados em pesquisas de voo em alta velocidade pela Força Aérea e pela NASA. O primeiro protótipo está preservado no Museu Nacional da Força Aérea dos Estados Unidos, em Ohio.
Separados por pouco mais de duas décadas, o B-29 e o XB-70 mostram a rapidez com que a aviação militar evoluiu no século 20, do motor a pistão às velocidades supersônicas.
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Fonte: Wikipédia, verbetes Boeing B-29 Superfortress e North American XB-70 Valkyrie, consultados em 21 de setembro de 2026.





