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O renascer do P-47 Thunderbolt brasileiro: por dentro da restauração que devolveu vida ao caça da FAB

Foto: FAB via Flickr

Vintage Aviation News

Liderado pela associação REVOAR em parceria com o Museu Aeroespacial e a Força Aérea Brasileira, o projeto trouxe de volta o ronco do motor do histórico caça que homenageia os pilotos da Segunda Guerra Mundial.

Poucos projetos de restauração carregam tanto peso histórico quanto o resgate do P-47 Thunderbolt brasileiro. Símbolo da participação da Força Aérea Brasileira na Segunda Guerra Mundial, a aeronave passou por um trabalho minucioso com o objetivo de voltar a funcionar. A iniciativa nasceu de um pedido do próprio Comandante da Aeronáutica e se transformou em um exercício de dedicação técnica e de preservação da memória aérea nacional.


Segundo Rafael Daré, gerente do projeto, a meta era ver o P-47 com o motor em funcionamento e taxiando em Outubro de 2024, durante as comemorações dos 80 anos da entrada da FAB no conflito, quando o grupo de caça brasileiro seguiu para a Itália. Os trabalhos começaram em Abril de 2024, depois de muitos anos com a aeronave parada.

Foto: REVOAR via Vintage Aviation News

Construído pela Republic em Evansville, Indiana, como um P-47D-40-RA, o exemplar recebeu o número de série 45-49151 e foi incorporado às Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos por volta de 1945. Entre 1949 e 1950, serviu na Guarda Nacional Aérea da Virgínia. Em 13 de Agosto de 1953, foi transferido para a Força Aérea Brasileira, onde passou a ser designado F-47 com a matrícula 4184.

No Brasil, a aeronave serviu como célula de instrução em São José dos Campos em 1960 e depois foi levada para a Base Aérea de Guaratinguetá, em São Paulo, onde permaneceu entre 1967 e 1972. Em 1977, foi transferida para o Museu Aeroespacial, no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro. Entre 1987 e 1996 passou por uma ampla restauração que a tornou novamente apta a voar, com novo voo realizado em 1996. Desde então, esteve em exibição no museu.

Foto: FAB via Flickr

O caminho até aqui, porém, foi marcado por percalços. Após a restauração dos anos 1980 e 1990, uma disputa em torno de quem poderia operar a aeronave acabou mantendo o avião no solo por anos. Nas tentativas de acionar o motor sem as verificações hidráulicas adequadas, as duas primeiras unidades foram inutilizadas. O terceiro motor é justamente o que a equipe utiliza atualmente.

Em 2019, uma nova tentativa de acionamento quase terminou em desastre: o motor funcionou por cerca de 15 minutos e por pouco não explodiu. A partir daí, a aeronave ficou parada por quase cinco anos. O ponto de virada veio em 2024, quando a equipe iniciou uma manutenção extensa, mesmo sem recursos para uma revisão completa. Cilindros e bombas foram verificados e o motor foi remontado conforme as especificações do manual.

O resultado apareceu em Agosto de 2024. Após duas expedições que somaram oito dias e cerca de 70 horas de trabalho intenso, a Associação Brasileira de Restauração de Aeronaves REVOAR, em parceria com o Museu Aeroespacial e a Força Aérea Brasileira, conseguiu fazer reviver o motor Pratt & Whitney R-2800 Double Wasp do P-47D. Desde então, a aeronave já acumulou cinco horas de operação tranquila.

Foto: REVOAR via Vintage Aviation News

Para evitar novos problemas, a equipe mantém o motor em movimento, acionando-o a cada duas ou três semanas por períodos de cinco a dez minutos. Entre Maio e Outubro de 2024, o avião foi colocado em funcionamento regularmente, incluindo uma viagem ao Rio de Janeiro para um teste de táxi bem-sucedido. Em Outubro, durante as comemorações dos 80 anos da entrada da FAB na guerra, o Thunderbolt taxiou ao lado dos A-29 em um evento em Brasília. O percurso não foi totalmente livre de imprevistos: durante o transporte para a capital, uma linha hidráulica se rompeu e exigiu a refabricação de algumas peças.

O próximo grande sonho da equipe é ver o P-47 novamente no ar, embora isso não dependa apenas dela. Por nunca ter sido uma aeronave civil, o caça enfrenta desafios legais e logísticos para obter as autorizações necessárias à operação em voo.

Mais do que um desafio técnico, a restauração é uma homenagem à coragem e ao sacrifício dos pilotos do 1º Grupo de Caça da Força Aérea Brasileira que lutaram na Segunda Guerra Mundial. Para os envolvidos, recolocar a aeronave em funcionamento é também uma forma de honrar o legado desses aviadores e manter viva, para as próximas gerações, a contribuição brasileira no esforço de guerra.

Foto: FAB via Flickr

Quer acompanhar de perto histórias como a do P-47 Thunderbolt e o resgate do patrimônio aéreo brasileiro? Continue navegando pelo Aero The Times, conheça outras restaurações da nossa seção de Histórias e compartilhe esta matéria com quem também é apaixonado por aviação.

Fonte: Vintage Aviation News, reportagem de Moreno Aguiari publicada em 6 de Maio de 2025.

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