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WB-57 da NASA persegue o eclipse solar total de 2026

Foto: Chris Ebdon via Vintage Aviation News

Único exemplar operacional da frota de jatos de grande altitude da agência decolou da Islândia para registrar a coroa solar a 50 mil pés, com câmeras capazes de gravar 20 imagens por segundo

O WB-57 da NASA voltou a ser protagonista de uma campanha científica internacional. Nesta quarta-feira, 12 de Agosto de 2026, o jato de pesquisa em grande altitude decolou da Islândia para perseguir a sombra da Lua durante o eclipse solar total que cruza a Groenlândia, a Islândia, o norte da Rússia, o Oceano Atlântico, a Espanha e uma pequena porção de Portugal.

A aeronave chegou ao Aeroporto de Keflavík, na Islândia, em 10 de Agosto, operando com o indicativo NASA926. O deslocamento começou em 9 de Agosto, com decolagem de Ellington Field, no Texas, e uma escala em Bangor, no estado do Maine, antes da travessia do Atlântico. A presença de um WB-57 na Europa é rara, e o posicionamento foi feito exclusivamente para a janela de observação do eclipse.

Foto: NASA

O argumento central da missão é altitude. Voando a cerca de 15,2 quilômetros, o WB-57 opera acima da maior parte das nuvens, do vapor d’água e da turbulência atmosférica que degradam as observações feitas do solo. Segundo a NASA, essa posição permite que os sensores registrem comprimentos de onda no infravermelho que normalmente são absorvidos pelas camadas mais baixas da atmosfera antes de chegar à superfície, faixas nas quais a coroa solar foi observada pouquíssimas vezes.

O segundo ganho é tempo. Do solo, a duração máxima da totalidade neste eclipse é de 2 minutos e 18 segundos. Voando ao longo da trajetória da sombra lunar a aproximadamente 460 mph (cerca de 740 km/h), a aeronave estende a janela de observação para perto de três minutos, um acréscimo relevante para instrumentos que trabalham com cadência alta de aquisição.

A carga útil principal é o SCIFLI Multispectral Airborne Imager, ou SAMI, desenvolvido pela equipe SCIFLI (Scientifically Calibrated In-Flight Imagery) do Langley Research Center da NASA, em Hampton, na Virgínia. Trata-se de um conjunto de quatro câmeras instaladas no cone de nariz do WB-57, capazes de registrar ao menos 20 imagens por segundo em diferentes comprimentos de onda do visível e do infravermelho.

Fotos: wmdllc

O objetivo científico é mapear estruturas, fluxos de saída e variações rápidas da coroa solar. Com esse material, os pesquisadores esperam entender melhor a formação de proeminências solares, o mecanismo que aquece a coroa a temperaturas próximas de um milhão de graus e a relação entre o material coronal e o vento solar que se propaga pelo sistema solar.

O SAMI não é estreante. O mesmo instrumento voou em um WB-57 durante o eclipse total de 8 de Abril de 2024, e a experiência acumulada naquela campanha orientou os ajustes atuais. O investigador principal do estudo, Amir Caspi, do Southwest Research Institute, em Boulder, no Colorado, afirmou que o Sol está sempre mudando e que cada eclipse é diferente, o que abre a possibilidade de registrar fenômenos ainda não observados.

Foto: NASA / SwRI / William Ashfield

Entre as modificações para 2026 estão a revisão dos tempos de exposição, ajuste motivado pela saturação de estruturas mais brilhantes nas imagens de 2024, e o uso de um software de processamento desenvolvido depois daquela campanha, que deve acelerar a análise dos dados. O experimento é financiado pelo Heliophysics Low Cost Access to Space Program da NASA.

Enquanto o jato acompanha a coroa solar, o Nationwide Eclipse Ballooning Project, apoiado pela NASA e liderado por Angela Des Jardins, da Montana State University, montou uma operação paralela no solo. Na Islândia, duas equipes lançam um total de 80 balões, começando 18 horas antes do eclipse e seguindo até oito horas depois, para medir o comportamento da camada limite atmosférica.

Na Espanha, três equipes lançam seis balões equipados com câmeras de 360 graus, destinadas a registrar a sombra lunar vista de cima, e com sensores de ozônio. Campanhas anteriores, em Outubro de 2023 e Abril de 2024, indicaram colapso da camada limite em locais de céu claro e redução dos níveis de ozônio durante a totalidade, e os pesquisadores querem verificar se o mesmo padrão se repete em latitude, estação e horário diferentes.

O WB-57F é uma versão profundamente modificada do Martin B-57 Canberra, a variante norte-americana do britânico English Electric Canberra, produzida sob licença nos Estados Unidos. Os exemplares da NASA são operados pelo Johnson Space Center a partir de Ellington Field, em Houston, dentro do WB-57 High Altitude Research Program.

Foto: USAF

A aeronave mantém a configuração básica bimotora de asa média, com asa de alto alongamento e envergadura de aproximadamente 37,3 metros, característica responsável pela eficiência aerodinâmica em altitudes elevadas. É propulsada por dois turbofans Pratt & Whitney TF33 e pode operar acima de 60 mil pés a cerca de 410 nós de velocidade verdadeira, o equivalente a Mach 0,78, por aproximadamente 6,5 horas, com alcance da ordem de 2.500 milhas náuticas.

A arquitetura de carga útil inclui paletes intercambiáveis na fuselagem, pods e aberturas nas asas, seção de nariz e outros pontos externos de fixação, com capacidade que chega a cerca de 4.000 quilos conforme a configuração. A tripulação é composta por duas pessoas em tandem: o piloto na cabine dianteira e o operador de sensores (SEO) na posição traseira, responsável pela navegação e pelos instrumentos científicos. Assim como ocorre com os pilotos do U-2 Dragon Lady da Força Aérea dos Estados Unidos, a tripulação do WB-57 utiliza trajes pressurizados.

Foto: NASA

A raridade da missão também tem um componente logístico. A NASA mantém três WB-57 em seus registros, mas apenas o N926NA está operacional no momento. O N927NA sofreu um pouso de emergência com trem recolhido em Janeiro de 2026, e a agência informa em seu site que a manutenção deve ser concluída até o fim de Junho de 2027. O N928NA passa por uma inspeção maior com previsão de término em Janeiro de 2027, processo iniciado em 2021 e posteriormente suspenso por tempo indeterminado.

Além de campanhas de eclipse, realizadas também em 2017 e 2024, o WB-57 é empregado em ciência atmosférica e terrestre, imageamento de alta resolução, mapeamento de solo, coleta de poeira cósmica, observações astronômicas, apoio a lançamentos de foguetes e ensaios de sistemas aeroespaciais. Recentemente, a aeronave apoiou o lançamento da missão Artemis II.

A NASA promove transmissão ao vivo do eclipse com imagens captadas na Islândia e na Espanha, incluindo material enviado pelo WB-57 durante o voo. Nos Estados Unidos, o fenômeno é visível apenas em sua fase parcial em parte do território.

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Fonte: NASA, NASA Science Soars During August Total Solar Eclipse, publicado em 27 de Julho de 2026 e atualizado em 30 de Julho de 2026; e The Aviationist, NASA WB-57 Heads to Iceland to Observe Solar Eclipse, publicado em 10 de Agosto de 2026.

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