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Sábado Aéreo 2026: Black Hawk do 2º BAvEx é destaque no CAvEx

Aeronaves da Aviação do Exército retornando da primeira demonstração. Foto: Lucas Barcat

Realizado em 29 de Agosto no Comando de Aviação do Exército, em Taubaté, o evento reuniu demonstrações aéreas, saltos de paraquedistas e a exposição do UH-60M, mais novo helicóptero de manobra da Força Terrestre

O Comando de Aviação do Exército (CAvEx) realizou no dia 29 de agosto de 2026 mais uma edição do Sábado Aéreo, no Forte Ricardo Kirk, em Taubaté (SP). A programação ocorreu das 8h às 17h, com entrada gratuita mediante reserva antecipada, e incluiu apresentações de esquadrilhas de acrobacia aérea externas, saltos de paraquedistas, exposição de aeronaves, materiais militares e estandes interativos. A expectativa da organização era receber mais de 60 mil visitantes, número que coloca o evento entre as principais atividades de integração entre o Exército Brasileiro e a sociedade civil no Vale do Paraíba.

HA-1 Fennec, UH-60M Black Hawk e Pantera K2. Foto: Lucas Barcat
Pantera K2 equipado com uma Bambi Bucket para simular o combate a incêndios. Foto: Lucas Barcat

A edição deste ano teve peso simbólico adicional: integrou as comemorações pelos 40 anos da Aviação do Exército. O evento também manteve o caráter solidário tradicional, com arrecadação de alimentos não perecíveis e ração animal destinados a entidades assistenciais da região.

Uma programação de nove horas

O cronograma divulgado pelo CAvEx dividiu o dia em dois grandes blocos. Pela manhã, após a abertura e a apresentação da Banda de Música da Aviação do Exército, o público acompanhou demonstrações de aeromodelismo, a atuação dos cães de guerra do 2º BPE, o lançamento de minifoguetes da Associação Brasileira de Minifoguetes e a primeira apresentação da Associação Brasileira de Acrobacia Aérea, seguida do desafio entre moto e avião. A chegada da Esquadrilha da Fumaça estava prevista para o intervalo das 10h30 às 11h, e o primeiro salto de paraquedistas dos Cometas para as 11h.

Aeronaves Embraer A29 Super Tucano do EDA. Foto: Lucas Barcat
Paraquedista com a Bandeira do Brasil. Foto: Lucas Barcat

À tarde, a Aviação do Exército realizou sua primeira demonstração aérea entre 12h e 12h40, seguida por nova rodada de acrobacias, pelo segundo e terceiro saltos de paraquedistas, pela apresentação aérea do Comandante Faleiros e por uma segunda demonstração da Aviação do Exército, das 15h40 às 16h15. O encerramento ficou por conta da Esquadrilha da Fumaça, entre 16h15 e 17h, com apresentação musical de fechamento.

Piloto do EDA se preparando para a demonstração. Foto: Lucas Barcat
Embraer A29 Super Tucano da Esquadrilha da Fumaça taxiando para a demonstração. Foto: Lucas Barcat
Embraer A29 Super Tucano acionando o gerador de fumaça durante o taxiamento. Foto: Lucas Barcat
Apresentação da Esquadrilha da Fumaça. Foto: Lucas Barcat

O UH-60M Black Hawk, novo vetor do 2º BAvEx

UH-60M Black Hawk (HM-2A) EB 3005, primeiro exemplar do modelo na Aviação do Exército. Foto: Lucas Barcat

O primeiro UH-60M Black Hawk da Aviação do Exército, matrícula EB 3005, chegou à Base de Aviação de Taubaté em novembro de 2025 e foi incorporado à 2ª Esquadrilha de Helicópteros de Emprego Geral do 2º Batalhão de Aviação do Exército. A aeronave recebeu no Exército Brasileiro a designação HM-2A.

A cerimônia oficial de recebimento ocorreu em 15 de Dezembro de 2025, no CAvEx, presidida pelo Comandante do Exército, General de Exército Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva. O helicóptero integra um lote de doze unidades adquiridas diretamente do governo dos Estados Unidos por meio do programa Foreign Military Sales.

O EB 3005 em voo durante a demonstração da tarde. Foto: Lucas Barcat
EB 3005 em taxiamento. Foto: Lucas Barcat

Do ponto de vista técnico, o salto em relação à frota anterior é expressivo. O UH-60M conta com aviônicos digitais modernos, piloto automático de quatro eixos e motores mais potentes, que permitem velocidades próximas de 300 km/h. Segundo o comunicado do Exército, a aeronave transporta até doze militares sentados, além de quatro tripulantes, e cargas de até quatro toneladas, com previsão de emprego em transporte de tropas, evacuação aeromédica e busca e salvamento. A configuração padrão de cabine do modelo, adotada desde o programa que originou a família, é dimensionada para onze militares plenamente equipados.

Aproximação frontal do UH-60M diante do público. Foto: Lucas Barcat

A capacitação de pessoal começou ainda em 2024, quando 22 militares do CAvEx passaram por formação inicial nos Estados Unidos.

O que diz quem opera a aeronave

Sgt Cortes apresentando o UH-60M Black Hawk para o Aero The Times. Foto: Lucas Barcat

Durante o Sábado Aéreo, a Aero The Times conversou com o Sargento mecânico de voo, Sgt Cortes do 2º BAvEx, função que na Aviação do Exército corresponde ao tripulante operacional da aeronave. O relato ajuda a separar o que é característica do modelo daquilo que é configuração específica das células brasileiras.

Segundo o militar, o exemplar já em Taubaté corresponde à mesma configuração de produção operada atualmente pelo Exército dos Estados Unidos, com as diferenças concentradas na parte eletrônica. O radar meteorológico, citado no comunicado oficial do Exército entre os recursos do modelo, não está instalado nesta primeira aeronave e deverá vir nas próximas células a serem entregues.

Cockpit do UH-60M Black Hawk EB 3005. Foto: Lucas Barcat
Cockpit do UH-60M Black Hawk EB 3005. Foto: Lucas Barcat

Outro ponto levantado diz respeito ao rotor. As pás do UH-60M são de corda larga e em material composto, com pontas enflechadas e curvadas para baixo, solução que reduz a perda de eficiência na ponta da pá e melhora sustentação, desempenho e autonomia sem ampliar o diâmetro do rotor. O rotor de cauda, inclinado em relação à vertical, é característica presente na família Black Hawk desde as primeiras versões e contribui com parcela da sustentação em voo pairado, além de melhorar a estabilidade direcional.

Rotor da aeronave. Foto: Lucas Barcat
Rotor de cauda do UH-60M Black Hawk EB 3005. Foto: Lucas Barcat

O sistema de dobragem de pás para transporte em aeronave de asa fixa ou embarque em navio também apareceu na conversa. A solução existe tanto no UH-60M quanto no Seahawk naval, mas com diferença prática relevante: nos modelos navais o processo é feito por acionamento automático, enquanto no Black Hawk do Exército é necessário empregar um kit de dobragem, com procedimento manual.

Na cabine, o militar destacou os assentos destinados ao mecânico e à tripulação, com ajuste de posicionamento que permite melhor orientação da tropa durante manobras e em operações de infiltração. A aeronave está preparada para as técnicas de rapel, fast rope e helocast, além de comportar armamento lateral e disparo axial. Futuramente será incorporado a metralhadora M134 na aeronave.

Assentos dos mecânicos da aeronave. Foto: Lucas Barcat
Posição do mecânico de voo na aeronave. Foto: Lucas Barcat
Gentex HGU-56/P. Foto: Lucas Barcat
Assentos dos tripulantes. Foto: Lucas Barcat

Do Cougar ao Black Hawk, uma transição em curso

HM-2A e HM-3. Foto: Lucas Barcat

A presença do HM-2A ao lado dos HM-3 Cougar no pátio ilustrou bem o momento da Aviação do Exército. Com a chegada dos novos helicópteros, quatro UH-60L Black Hawk e oito HM-3 Cougar, em fase final de vida útil, serão substituídos pelos UH-60M. Os Cougar chegaram ao Brasil em 2002 e são, ao lado dos HM-2, as únicas frotas da AvEx que não passaram por processo de modernização, mantendo cockpit analógico.

HM-3 Cougar. Foto: Lucas Barcat
HM-3 Cougar. Foto: Lucas Barcat

Também esteve em exposição o HM-4 Jaguar, que vive um marco próprio. Em 13 de agosto de 2026, a Aviação do Exército recebeu oficialmente a última unidade do modelo, matrícula EB 5015, prevista no cronograma de aquisições do Projeto H-XBR. Coube ao Exército Brasileiro o recebimento de quinze HM-4 Jaguar, com a primeira aeronave, matrícula EB 5001, entregue em 2011. Equipado com sistemas de autodefesa e suíte de guerra eletrônica avançada, o Jaguar é otimizado para transporte de tropa e assalto aeromóvel, infiltração e exfiltração, além de apoio logístico em missões humanitárias, de dia ou à noite.

2 aeronaves HM-4 Jaguar chegando para a extração das tropas. Foto: Lucas Barcat
HM-4 Jaguar EB5005. Foto: Lucas Barcat
HM-4 Jaguar demonstrando carga externa com um jipe. Foto: Lucas Barcat

Quarenta anos de asas na Força Terrestre

Ao reunir em um mesmo pátio o Cougar em vias de desativação, o Jaguar recém-completado e o Black Hawk que inaugura o próximo ciclo, o Sábado Aéreo 2026 funcionou como uma fotografia precisa dos 40 anos da Aviação do Exército. Para o público, foi a chance de ver de perto uma frota em transição. Para a Força, uma oportunidade de mostrar à sociedade o resultado de programas que levaram mais de uma década para maturar.

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Um agradecimento especial ao Sgt Cortes pela oportunidade de conhecer de perto a nova aeronave que integra a Aviação do Exército e pelo depoimento ao Aero The Times para que este artigo fosse possível!

Acompanhe o depoimento completo pelos links: Instagram: Assista aqui!

Fontes: Comando de Aviação do Exército, informações oficiais do evento; Exército Brasileiro, entrega do último HM-4 Jaguar do Projeto H-XBR; entrevista concedida à Aero The Times durante o Sábado Aéreo 2026.

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