Foto: RT
Vídeos divulgados em 10 de Agosto mostram uma dupla de Fitter em formação sobre Idlib, no que a imprensa local descreve como um voo de treinamento partido da base aérea de Shayrat.
Uma dupla de caças-bombardeiros Sukhoi Su-22 da Força Aérea Síria foi filmada sobrevoando o norte da Síria em 10 de Agosto de 2026, no primeiro registro conhecido de uma formação de aeronaves de combate do país desde o colapso do regime de Bashar al-Assad, em Dezembro de 2024. As imagens foram divulgadas em redes sociais e replicadas pela agência turca Turkish Defence Agency, que identificou as aeronaves como Su-22M3/M4.
O jornal semioficial Al-Watan afirmou que os caças cumpriam um voo de treinamento que também teria coberto as províncias de Homs e Hama. A decolagem teria ocorrido em Shayrat, na província de Homs, base que concentrou o grosso da frota de Su-22 da antiga Força Aérea Árabe Síria durante a guerra civil. Em aparente referência ao voo, o novo aparato militar sírio publicou no Telegram uma imagem ilustrativa de dois Su-22 com a legenda “de uma era de medo a um sinal de segurança”.
O episódio representa um salto em relação ao registro anterior. Em 15 de Junho de 2026, vídeos mostraram um único Su-22 sobrevoando a cidade de Homs, no que aparentava ser um voo de teste. Aquele exemplar era um Su-22UM-4K, versão biposto de treinamento, que já havia aparecido em um vídeo promocional da nova força aérea apenas taxiando, sinal de que ainda não estava plenamente operacional. As novas imagens indicam que mais de um Su-22 pode ter sobrevivido ao colapso do regime anterior e aos ataques israelenses subsequentes, embora fontes ouvidas pelo SouthFront afirmem que os dois caças vistos sobre Idlib seriam os únicos em condições de recuperação.
A antiga Força Aérea Árabe Síria contava com cerca de 50 Su-22 de diferentes versões quando a guerra começou, em 2011. Quando o regime de Assad entrou em colapso, no fim de 2024, apenas algumas dezenas seguiam operacionais, e logo após a queda Israel lançou centenas de ataques com o objetivo de destruir a capacidade militar síria, em uma campanha aérea batizada de Operação Flecha de Basã. Ao menos um esquadrão de Su-22 foi destruído nesses ataques, e a mídia israelense estimou, ainda no início da operação, perdas superiores a 60 por cento da capacidade da força. Além dos dois Su-22, a atual Força Aérea Síria opera um número reduzido de jatos de treinamento L-39 de fabricação tcheca, somados a uma pequena frota de helicópteros Mi-8/17, Mi-24 e Aérospatiale Gazelle, muitos deles transferidos para outros ramos das forças armadas.

Projetado ainda na década de 1960 como derivado de asa de geometria variável do Su-7, o Su-22 é uma plataforma de apoio aéreo aproximado e ataque ao solo, sem capacidade de emprego de armamento guiado moderno em suas versões sírias. Do ponto de vista de capacidade de combate, o retorno das duas células ao voo tem peso simbólico e de formação de tripulações muito maior do que peso operacional.
Segundo reportagem da emissora pública israelense KAN, o establishment militar de Israel manifestou preocupação com a aceleração no ritmo de reconstrução da força aérea síria, cerca de um ano e oito meses após a queda de Assad. O monitoramento israelense teria identificado o recrutamento de novos pilotos, treinamentos com aeronaves de instrução e helicópteros e, nas últimas 24 horas, a primeira manobra aérea com caças Sukhoi no norte do país, apontada como indício de recuperação de um patamar mínimo de capacidade operacional. A mesma reportagem afirma que as novas forças sírias, sob o governo do presidente Ahmed al-Sharaa, recebem apoio de países como Turquia, Arábia Saudita, Rússia e França, além de outros atores regionais.

A principal preocupação apontada por Tel Aviv seria o estabelecimento militar turco no país vizinho, que poderia incluir o desdobramento de sistemas de defesa aérea capazes de restringir a liberdade de ação israelense no espaço aéreo sírio, tema que a fonte de segurança citada diz estar sendo compartilhado com os Estados Unidos.
Até o fechamento desta matéria não havia comunicado oficial do Ministério da Defesa da Síria confirmando ou detalhando a missão, e circulou em veículos regionais a informação de que uma fonte da pasta teria negado as versões sobre o voo. Os relatos disponíveis, portanto, seguem baseados em vídeos de origem aberta e em fontes de imprensa.
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Fonte: Turkish Defence Agency, publicação de 10 de Agosto de 2026; com informações de SouthFront, Al-Araby Al-Jadeed e Sky News Arabia.





