Foto: USAF
A Anduril Industries apresentou no dia 27 de Julho de 2026 o primeiro YFQ-44A Fury montado na fábrica Arsenal-1, em Pickaway County, no estado norte-americano de Ohio. A cerimônia marcou a transição do complexo industrial da fase de construção para a fase de produção de aeronaves e representa um passo relevante para o programa Collaborative Combat Aircraft (CCA) da Força Aérea dos Estados Unidos.
Segundo a empresa, o exemplar apresentado é o primeiro produto fabricado no local. A Anduril afirmou que a unidade saiu da linha de montagem 557 dias após o anúncio do projeto, período que inclui licenciamento, construção civil, instalação de equipamentos, contratação de mão de obra e montagem final. A produção teve início em Março de 2026, três meses antes da meta original, que previa o começo das atividades em Julho.
Localizada nas proximidades do Rickenbacker International Airport, em um terreno de aproximadamente 500 acres (cerca de 2 km²), a Arsenal-1 foi projetada para alcançar capacidade anual de até 150 aeronaves Fury em sua configuração inicial. O projeto recebeu 310 milhões de dólares em apoio financeiro da agência JobsOhio e deve gerar cerca de 4 mil empregos até 2035. Parte da infraestrutura, incluindo o hangar principal de montagem e um segundo edifício de produção, ainda está em obras.

A Anduril informou que os funcionários contratados em Ohio foram inicialmente treinados nas instalações da empresa na Califórnia antes de retornarem a Pickaway County para estabelecer os processos produtivos locais e transferir o conhecimento necessário à ampliação da fabricação.
O YFQ-44A Fury é uma das aeronaves selecionadas pela Força Aérea dos Estados Unidos para o Incremento 1 do programa Collaborative Combat Aircraft, ao lado do General Atomics YFQ-42A. O conceito não prevê a substituição dos caças tripulados, mas sim a operação como ala autônomo ao lado de plataformas como o F-35A Lightning II, de aeronaves futuras do programa Next Generation Air Dominance (NGAD) e, potencialmente, de versões modernizadas do F-15 e do F-16. A proposta busca ampliar o número de sensores, armamentos e opções táticas disponíveis a uma formação, reduzindo a exposição das tripulações em ambientes altamente contestados.
Diferentemente de veículos aéreos remotamente pilotados convencionais, que exigem controle contínuo por parte de um operador, o Fury foi concebido a partir de uma arquitetura orientada à autonomia.

Em ensaios em voo, a aeronave demonstrou capacidade de executar um perfil de missão previamente planejado, gerenciar os próprios comandos de voo e os ajustes de motor e retornar sob supervisão humana, sem necessidade de pilotagem direta. De acordo com a empresa, a autonomia é integrada desde o início do desenvolvimento, e não incorporada após a validação da célula, o que reduz riscos de integração e permite a evolução das capacidades por meio de atualizações de software.
Propulsado por um único motor turbofan, o Fury oferece desempenho subsônico elevado e incorpora arquitetura interna modular capaz de acomodar sensores de inteligência, vigilância e reconhecimento, cargas de guerra eletrônica ou armamento guiado de precisão, conforme a missão.
Compartimentos internos de armamento reduzem a assinatura radar e preservam a eficiência aerodinâmica. A plataforma é sustentada pela arquitetura digital ArsenalOS, da própria Anduril, responsável por gerenciar software de missão, configuração da aeronave, manutenção e produção ao longo do ciclo de vida do sistema.
O conceito operacional vai além do reconhecimento. O YFQ-44A foi projetado para operar à frente das formações tripuladas, ampliando a cobertura de sensores, identificando ameaças, conduzindo missões de guerra eletrônica e engajando alvos designados quando necessário. A aeronave também pode agregar capacidade adicional de mísseis ar-ar ou ar-superfície, aumentando o poder de fogo de uma formação sem exigir mais pilotos. A abordagem sustenta o conceito de “massa acessível” defendido pela Força Aérea norte-americana, que busca dispor de um número maior de plataformas autônomas de custo comparativamente inferior para complicar o direcionamento inimigo e aliviar a pressão operacional sobre as aeronaves tripuladas.

O marco também tem implicações industriais. Há anos a Anduril sustenta que a competitividade militar futura depende não apenas do desempenho tecnológico, mas também da velocidade de produção. A empresa recorre a métodos de manufatura comercial, engenharia digital e processos produtivos simplificados para elevar o volume de saída com controle de custos, buscando uma base industrial capaz de ajustar as taxas de produção conforme a demanda operacional evolui.
O programa Collaborative Combat Aircraft tornou-se um dos eixos centrais da modernização da Força Aérea dos Estados Unidos, com planos de longo prazo que preveem a aquisição de várias centenas e, eventualmente, mais de mil aeronaves autônomas colaborativas. Nesse contexto, o primeiro Fury produzido em Ohio representa mais do que a abertura de uma linha de montagem: é a implementação inicial de um modelo industrial voltado à entrega de aeronaves de combate autônomas em ritmo mais acelerado, algo que pode influenciar o futuro equilíbrio de capacidades no combate aéreo entre as principais potências militares.
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Fonte: Army Recognition, matéria publicada em 28 de Julho de 2026.





